Previdência
PGBL ou VGBL: qual escolher (com a conta feita no líquido)
PGBL ou VGBL? Depende de três coisas: como você declara o IR, quanto tempo vai deixar o dinheiro e a taxa do plano. Veja a regra prática, a tabela regressiva e um exemplo com números.
PGBL ou VGBL é a dúvida mais frequente que recebemos em reunião, e a resposta honesta é: depende de três coisas, e nenhuma delas é "qual rende mais". Os dois são a mesma carcaça com fundos iguais dentro. O que muda é como o Imposto de Renda trata as contribuições e o resgate.
Este artigo dá a regra prática em um parágrafo, explica a tabela regressiva e a progressiva, e faz a conta com números reais para você ver o tamanho da diferença. Se quiser testar as suas premissas, o simulador PGBL x VGBL compara os dois no líquido, já com o come-cotas do fundo comum na mesma tela.
A regra prática em um parágrafo
Se você declara o Imposto de Renda pelo modelo completo, contribui para o INSS ou regime próprio e tem renda tributável relevante, o PGBL costuma ser a escolha: você deduz até 12% da renda bruta anual da base de cálculo e adia o imposto para o resgate. Se você declara pelo modelo simplificado, é isento, ou já usa os 12% em outro plano, o VGBL é a escolha: não há dedução, mas no resgate o imposto incide só sobre o rendimento, não sobre o total.
Tudo o que vem a seguir é o detalhamento dessa regra, e as exceções.
Diferença entre PGBL e VGBL: onde o imposto bate
No PGBL, a contribuição é dedutível da base do IR (até 12% da renda bruta tributável anual, para quem declara no modelo completo e contribui para a previdência oficial). Em troca, no resgate o imposto incide sobre o valor total: principal mais rendimento. Faz sentido: você não pagou imposto sobre o principal na entrada, paga na saída.
No VGBL, não há dedução. No resgate, o imposto incide apenas sobre o rendimento. É o produto para quem não consegue aproveitar a dedução.
Na prática, o PGBL é um adiamento de imposto com benefício de caixa hoje. Se você reinveste a restituição, o benefício é real e grande. Se gasta a restituição, o PGBL vira apenas um imposto pago mais tarde e sobre uma base maior.
Tabela regressiva ou progressiva: a segunda decisão
Independentemente de PGBL ou VGBL, você escolhe um regime de tributação. Desde a Lei 14.803/2024, essa escolha pode ser feita no momento do primeiro resgate ou do recebimento do benefício, e não mais na contratação. Isso eliminou o erro mais comum do passado, que era travar a tabela regressiva num dinheiro que seria sacado em três anos.
A tabela regressiva recompensa prazo. A progressiva usa as alíquotas normais do IR sobre a renda (com retenção de 15% na fonte e ajuste na declaração).
| Prazo da contribuição | Alíquota (regressiva) |
|---|---|
| Até 2 anos | 35% |
| 2 a 4 anos | 30% |
| 4 a 6 anos | 25% |
| 6 a 8 anos | 20% |
| 8 a 10 anos | 15% |
| Acima de 10 anos | 10% |
Tabela regressiva da Lei 11.053/2004. A alíquota é calculada por aporte, não pelo plano como um todo.
A conta com números: renda de R$ 240 mil por ano
Considere alguém com renda bruta tributável de R$ 240 mil por ano, declaração completa, alíquota marginal de 27,5%. Os 12% dedutíveis são R$ 28.800 por ano. Cada contribuição de R$ 28.800 no PGBL reduz o imposto devido em cerca de R$ 7.920 naquele ano.
Agora projete 10 anos de contribuições de R$ 28.800, com rentabilidade hipotética de 9% ao ano, e resgate total após 10 anos na tabela regressiva (10%):
| PGBL | VGBL | |
|---|---|---|
| Total contribuído | R$ 288.000 | R$ 288.000 |
| Saldo bruto em 10 anos | R$ 437.556 | R$ 437.556 |
| Base do IR no resgate | Total (R$ 437.556) | Só o rendimento (R$ 149.556) |
| IR a 10% | R$ 43.756 | R$ 14.956 |
| Saldo líquido | R$ 393.801 | R$ 422.601 |
| Restituições recebidas ao longo dos 10 anos | R$ 79.200 | R$ 0 |
| Resultado total | R$ 473.001 | R$ 422.601 |
Exemplo ilustrativo, sem taxa de administração, com rentabilidade constante de 9% ao ano e sem reinvestimento das restituições. Reinvestindo as restituições, a vantagem do PGBL cresce. Não é projeção de rentabilidade.
Quando o PGBL não vale a pena
O PGBL perde sentido em quatro situações comuns: quando você declara no modelo simplificado (o desconto padrão de 20% já substitui as deduções); quando não contribui para o INSS ou regime próprio (condição legal para deduzir); quando já esgota os 12% em outro plano; ou quando o dinheiro vai ser sacado em menos de 4 a 6 anos, o que joga a alíquota regressiva para 25% a 35% sobre o total.
Nesses casos, o VGBL é a escolha padrão. E, para prazos curtos, vale comparar com um fundo comum ou com renda fixa, porque a previdência de curto prazo é onde a tabela regressiva mais machuca.
O que ninguém conta: taxa, come-cotas e sucessão
Três fatores decidem mais do que a sigla. Primeiro, a taxa: um PGBL com 2% de administração e carregamento na entrada pode perder de um VGBL barato, e os dois podem perder de um fundo comum com taxa baixa. Segundo, o come-cotas: fundos de previdência não têm a antecipação semestral de IR que os fundos comuns têm, e em 20 anos isso pesa. Explicamos a conta em come-cotas: quanto custa em 20 anos.
Terceiro, a sucessão. Previdência não entra em inventário na maior parte dos casos, e em vários estados não paga ITCMD (a discussão está no STF e a regra muda por estado). Para quem está organizando patrimônio para os herdeiros, esse é frequentemente o motivo principal de usar previdência, e a calculadora de sucessão mostra o tamanho do custo que ela evita.
PGBL para quem deduz e reinveste a restituição; VGBL para quem não deduz. Regressiva para prazo longo; progressiva para prazo curto ou renda baixa. E, acima de tudo, taxa baixa, porque nenhuma sigla compensa 2% ao ano de administração. Se quiser ver a sua situação com os seus números, fale com um assessor da Aplicação Certa: a comparação entre o seu plano atual e as alternativas é feita na primeira reunião, sem custo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PGBL e VGBL?
No PGBL, as contribuições são dedutíveis do IR (até 12% da renda bruta anual, para quem declara no modelo completo) e o imposto no resgate incide sobre o valor total. No VGBL, não há dedução e o imposto no resgate incide só sobre o rendimento. Os fundos dentro dos dois podem ser idênticos.
PGBL vale a pena para quem declara no modelo simplificado?
Em geral, não. No modelo simplificado, o desconto padrão de 20% substitui todas as deduções, então a contribuição ao PGBL não reduz o imposto. Nesse caso, o VGBL é a opção adequada, porque no resgate o imposto incide apenas sobre o rendimento.
Posso mudar da tabela progressiva para a regressiva?
Desde a Lei 14.803/2024, a escolha do regime de tributação pode ser feita no momento do primeiro resgate ou do início do benefício, e não mais na contratação. Planos contratados antes já com tabela regressiva mantêm a opção.
Previdência privada paga ITCMD?
Depende do estado e ainda há discussão judicial. O STF já decidiu que o VGBL não é herança para fins de ITCMD e que o PGBL tem natureza previdenciária, mas alguns estados tentam tributar. Consulte a legislação do seu estado e um planejador antes de usar previdência como ferramenta sucessória.
Vale a pena fazer portabilidade de previdência?
Vale quando o plano atual tem taxa de administração alta, carregamento ou fundo com desempenho fraco. A portabilidade não gera imposto e preserva o prazo já contado na tabela regressiva. Não é possível portar de PGBL para VGBL nem o contrário; só entre planos do mesmo tipo.
Fontes
- Lei 11.053/2004 (tributação de planos de previdência — tabela regressiva)
- Lei 14.803/2024 (escolha do regime tributário no momento do resgate)
- Receita Federal — dedução de contribuições à previdência privada (limite de 12%)
- SUSEP — Previdência complementar aberta
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação individual de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Antes de investir, avalie o seu perfil e os riscos de cada produto.