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Quitar o financiamento ou investir?

Comparação no mesmo horizonte, reinvestindo o que sobra: quem amortiza aplica a parcela que deixa de pagar; quem investe deixa o valor render até o fim do contrato.

R$ 400.000
R$ 20 milR$ 3M
11,5% a.a.
6%24%
300 meses
1 ano35 anos
R$ 100.000
R$ 5 milR$ 1M
11,00% a.a.
4%20%

Amortizar vence

Amortizar rende R$ 52.699 a mais

patrimônio ao fim de 300 meses (25 anos) · financiamento a 11,5% a.a. vs. investimento a 11,00% a.a. líquido

Economia de juros ao amortizar

R$ 239.658

de R$ 548.571 de juros ainda a pagar no contrato

Meses a menos

75 meses

contrato termina em 225 meses em vez de 300

Taxa de equilíbrio

11,5% a.a.

igual à taxa do contrato: para investir valer, precisa render mais que isso, líquido de IR

Patrimônio final · amortizar

R$ 1.411.245

parcelas liberadas aplicadas até o fim do horizonte

Patrimônio final · investir

R$ 1.358.546

R$ 100.000 rendendo 11,00% a.a. por 300 meses

Parcela atual

R$ 4.978

primeira parcela; em SAC ela cai todo mês

Não amortize com a reserva de emergência. O valor usado para amortizar deixa de existir como liquidez: volta para o imóvel e só sai vendendo ou refinanciando, a um custo maior que o juro economizado. Separe antes de 6 a 12 meses de despesas em aplicação com resgate imediato, e amortize só com o que sobrar.

Saldo devedor ao longo do tempo

SAC · reduzir prazo · amortização de R$ 100.000 hoje

Aviso legal: A taxa do financiamento é tratada como custo mensal constante, sem reajuste pela TR nem seguros (MIP/DFI) e taxa de administração, que elevam o CET real em cerca de 1 a 2 pontos ao ano — a conta tende, portanto, a favorecer o investimento. Em Price, reduzir prazo mantém a parcela; em SAC, mantém a amortização mensal e a parcela cai pelos juros que deixam de incidir. A rentabilidade informada é considerada constante e já líquida de IR e custos; o resultado real varia com a Selic e com o produto escolhido. Simulação de caráter educacional, baseada nas premissas informadas por você. Não constitui recomendação, oferta ou promessa de rentabilidade. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. A Aplicação Certa atua como assessoria de investimentos nos termos da Resolução CVM 178.

Essa conta, com os seus números

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Como funciona essa conta

A regra dos juros: 11,5% só perde para o que rende mais de 11,5% líquido

Amortizar um financiamento é um investimento com taxa conhecida. Cada real que abate do saldo devedor deixa de pagar a taxa do contrato — 11,5% ao ano no exemplo padrão — pelo resto do prazo, sem imposto de renda, sem taxa de administração e sem risco de mercado. É contra esse número que qualquer alternativa precisa ser comparada: investir só ganha se render mais de 11,5% ao ano já líquido de IR e custos, e de forma consistente, pelo prazo que falta do contrato.

Hoje, com o CDI na casa de 14,9% ao ano, a renda fixa pós-fixada passa nesse teste: um CDB a 100% do CDI rende perto de 12,7% líquido acima de dois anos, e uma LCI a 95% do CDI, cerca de 14,2%, isenta. Então, neste momento, a conta pode favorecer investir. O detalhe que a conta rápida esconde é o prazo. O financiamento dura 25 anos; a Selic não fica em 14,9% por 25 anos. A taxa do contrato é certa e o rendimento do investimento não — o que a ferramenta mostra é a foto de hoje, e a decisão precisa ser refeita a cada ano.

Há ainda o custo que não aparece no contrato como juros. Seguros obrigatórios (MIP e DFI) e taxa de administração elevam o custo efetivo total do financiamento em cerca de 1 a 2 pontos ao ano, e a TR, hoje baixa, já não foi zero em outros ciclos. Um contrato "a 11,5%" costuma custar 12,5% a 13% de CET — e esse é o número que o investimento precisa bater.

  • Amortizar rende exatamente a taxa do contrato, sem IR e sem risco.
  • Investir só vence se a rentabilidade líquida superar essa taxa pelo prazo restante.
  • Compare com o CET, não com a taxa nominal do contrato.

Reduzir prazo ou reduzir parcela

Ao amortizar, o banco oferece duas saídas: manter a parcela e cortar meses do fim do contrato, ou manter o prazo e baixar a parcela. A economia de juros é muito diferente nas duas. Reduzir prazo elimina as últimas parcelas do contrato, e em Price essas parcelas ainda carregam juros sobre um saldo grande. Reduzir parcela dilui o mesmo abatimento ao longo de todo o prazo, e o saldo continua rendendo juros para o banco por mais tempo.

Com as premissas padrão — R$ 400 mil de saldo, 11,5% ao ano, 300 meses em SAC e R$ 100 mil amortizados — reduzir prazo economiza R$ 239.658 em juros e termina o contrato 75 meses antes. Reduzir parcela economiza R$ 137.143 e baixa a primeira parcela de R$ 4.978 para R$ 3.734. São R$ 102 mil de diferença pela mesma amortização, no mesmo contrato, no mesmo dia.

Reduzir parcela faz sentido quando o problema é o fluxo de caixa: a parcela está apertando o orçamento, a renda caiu ou há outro compromisso chegando. Aliviar R$ 1.244 por mês pode ser o que evita atraso — e atraso custa multa, juros de mora e, no limite, o imóvel. Se o orçamento está confortável, reduzir prazo é a escolha que mais dinheiro devolve. E a ferramenta faz a comparação justa: no cenário de reduzir parcela, a diferença mensal é reinvestida todo mês; no de reduzir prazo, as parcelas que deixam de existir são aplicadas até o fim do horizonte original.

SAC ou Price: onde a amortização extra vale mais

No SAC, a amortização mensal é constante e a parcela começa alta e cai. Na Tabela Price, a parcela é fixa, mas nos primeiros anos quase toda ela é juros. Para o mesmo saldo de R$ 400 mil a 11,5% ao ano em 300 meses, o SAC paga R$ 548.571 de juros no total; o Price paga R$ 770.498 — R$ 222 mil a mais, em troca de uma parcela inicial menor (R$ 3.902 contra R$ 4.978).

Essa diferença faz a amortização extra render mais no Price. Os mesmos R$ 100 mil reduzindo prazo cortam 75 meses do SAC e 167 meses do Price, porque no Price a parcela fixa passa a amortizar muito mais do saldo a cada mês. A economia de juros vai de R$ 239.658 no SAC para R$ 551.702 no Price. Quem tem Price e dinheiro disponível está na situação em que amortizar mais paga.

Em ambos os sistemas, amortizar cedo vale mais que amortizar tarde. Cada real abatido no primeiro ano deixa de pagar 11,5% por 25 anos; abatido no vigésimo ano, deixa de pagar por cinco. Se a decisão de amortizar já está tomada, adiar seis meses para "juntar um pouco mais" custa juros sobre o valor que já estava na mão.

FGTS como fonte de amortização

O saldo do FGTS rende TR mais 3% ao ano, mais a distribuição de resultados que o conselho decide anualmente — nos últimos anos, entre 4% e 6% no total. Usá-lo para abater um saldo que custa 11,5% ao ano é trocar um rendimento baixo por uma economia alta, e quase sempre compensa. É o uso do FGTS que menos depende de previsão de mercado.

As regras gerais, que o agente financeiro confirma caso a caso: o financiamento precisa estar no Sistema Financeiro de Habitação, o imóvel precisa ser residencial urbano e do próprio trabalhador, e o titular não pode ter outro imóvel residencial na cidade onde mora ou trabalha, nem outro financiamento ativo no SFH. Exige-se no mínimo três anos de trabalho sob o regime do FGTS, somando períodos. Para amortizar ou quitar o saldo, o intervalo mínimo entre um uso e outro é de dois anos; para pagar parte das prestações (até 80% de cada parcela por 12 meses), as condições são outras.

O FGTS não serve para a reserva de emergência — só sai em hipóteses legais — e não há decisão de alocação a tomar sobre ele. Por isso, quando as regras permitem, ele costuma ser a primeira fonte de amortização, antes de qualquer dinheiro que esteja investido e líquido.

O que vem antes: reserva e dívidas mais caras

Amortizar o imobiliário é a última dívida da fila, não a primeira. Cartão de crédito rotativo custa acima de 400% ao ano; cheque especial, acima de 130%; crédito pessoal sem garantia, entre 40% e 90%; financiamento de veículo, entre 20% e 30%. Qualquer real disponível rende mais abatendo essas dívidas do que o imobiliário a 11,5% — a ordem é pela taxa, da maior para a menor, sem exceção.

Antes mesmo das dívidas vem a reserva de emergência. Dinheiro que vai para o saldo devedor volta para o imóvel e só sai vendendo ou refinanciando, a um custo maior que o juro economizado. Quem amortiza com a reserva e perde o emprego no mês seguinte volta para o cartão de crédito, e a economia de 11,5% vira um custo de 400%. Separe de 6 a 12 meses de despesas em aplicação com resgate imediato e só então olhe para o financiamento.

Há também o que a ferramenta não mede: a tranquilidade de dever menos, a liberdade de trocar de emprego ou cidade, a possibilidade de vender o imóvel sem saldo a cobrir. Isso tem valor, mas ele é seu, não da planilha — e não deve ser usado para justificar amortizar com o dinheiro que deveria estar disponível.

Exemplo completo com as premissas padrão

Saldo devedor de R$ 400 mil a 11,5% ao ano (0,91% ao mês), 300 meses restantes em SAC, R$ 100 mil disponíveis, investimento rendendo 11% ao ano líquido, amortização reduzindo prazo. Sem amortizar, a primeira parcela é de R$ 4.978 e o contrato ainda custa R$ 548.571 de juros até o fim.

Cenário amortizar: o saldo cai para R$ 300 mil, a amortização mensal de R$ 1.333 é mantida e o contrato termina em 225 meses, 75 antes do previsto. Os juros caem para R$ 308.913, uma economia de R$ 239.658. A parcela cai R$ 911 de imediato (os juros sobre os R$ 100 mil que deixaram de existir) e, nos últimos 75 meses, cai para zero. Esse fluxo livre, aplicado a 11% ao ano até o mês 300, vira R$ 1.411.245.

Cenário investir: os R$ 100 mil rendem 11% ao ano por 300 meses e viram R$ 1.358.546, enquanto as parcelas originais seguem sendo pagas. Amortizar termina R$ 52.699 à frente. A margem é pequena porque a taxa informada (11%) está perto da taxa de equilíbrio (11,5%). Com 13% ao ano líquido, investir ganha por R$ 216.786; com 9%, amortizar ganha por R$ 193.041. O resultado é sensível a meio ponto de rentabilidade — e é por isso que a rentabilidade líquida, não a bruta, é o único número que serve nessa conta.

Conteúdo e premissas revisados em .

Perguntas frequentes

Vale a pena quitar o financiamento imobiliário?

Vale quando a rentabilidade líquida que você consegue com segurança for menor que a taxa do contrato, e depois de ter reserva de emergência e nenhuma dívida mais cara. Um financiamento a 11,5% ao ano equivale a um investimento de 11,5% ao ano líquido, sem IR e sem risco. Com a Selic alta, a renda fixa pode superar isso; quando ela cai, a amortização volta a vencer. A decisão deve ser revisada a cada ano, e não tomada uma vez só.

É melhor amortizar o financiamento ou investir o dinheiro?

Compare a taxa do financiamento com a rentabilidade líquida do investimento no mesmo prazo. Se o investimento rende mais que o contrato custa, líquido de IR e custos, investir sai na frente; se rende menos, amortizar ganha. Com saldo de R$ 400 mil a 11,5% ao ano e R$ 100 mil aplicados a 11% líquido por 25 anos, amortizar termina cerca de R$ 53 mil à frente. A ferramenta faz essa conta com os seus números.

Amortizar reduz o prazo ou a parcela?

Você escolhe, e a diferença é grande. Reduzir prazo mantém a parcela e corta meses do fim do contrato; é a opção que mais economiza juros. Reduzir parcela mantém o prazo e baixa o valor mensal; economiza menos, mas alivia o orçamento. Com R$ 100 mil num saldo de R$ 400 mil a 11,5% em SAC, reduzir prazo economiza R$ 239 mil em juros e reduzir parcela, R$ 137 mil.

Posso usar o FGTS para amortizar o financiamento?

Em geral, sim, se o financiamento for do SFH, o imóvel for residencial e do próprio trabalhador, você não tiver outro imóvel na mesma cidade nem outro financiamento ativo no SFH, e tiver pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS. Para amortizar o saldo, o intervalo mínimo entre usos é de dois anos. Como o FGTS rende pouco e o financiamento custa muito, é quase sempre a primeira fonte a usar. Confirme as condições com o banco.

Vale a pena quitar o financiamento de carro?

Quase sempre. Financiamento de veículo custa entre 20% e 30% ao ano, taxa que nenhum investimento conservador alcança líquido de imposto. Num saldo de R$ 50 mil a 24% ao ano em 48 meses, amortizar R$ 20 mil reduzindo prazo economiza cerca de R$ 18 mil em juros e termina o contrato dois anos antes. A única ressalva é não usar a reserva de emergência para isso.

E se eu tiver dívida no cartão de crédito?

Ela vem antes de tudo, inclusive da reserva de emergência completa. O rotativo do cartão custa acima de 400% ao ano; nenhuma amortização de imobiliário e nenhum investimento chega perto disso. Quite o cartão primeiro, depois o cheque especial e o crédito pessoal, monte a reserva e só então decida entre amortizar o imóvel ou investir. A ordem é sempre pela taxa, da maior para a menor.

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