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O que é COE: como funciona, o que é protegido e o que avaliar antes de sair
COE é a sigla de Certificado de Operações Estruturadas. É um título emitido por um banco que promete pagar, no vencimento, um resultado ligado a outro ativo: um índice de bolsa, uma ação, o dólar, uma taxa de juros. A regra de quanto você recebe vem escrita antes, num documento chamado DIE (Documento de Informações Essenciais).
O COE não é bom nem ruim por natureza. O problema aparece quando quem compra não entende o prazo, a liquidez e o custo. Este guia explica cada um desses pontos em linguagem simples e termina com o que avaliar se você já tem um COE e quer sair.
Como um COE funciona
Pense no COE como um pacote. O banco emissor junta uma parte em renda fixa e outra em derivativos, e daí sai a regra de pagamento. Um exemplo comum: "no vencimento, você recebe o capital de volta mais a alta do índice X, limitada a 20%". Outro: "se a ação Y não cair mais de 30% em três anos, você recebe 12% ao ano; se cair, recebe a variação da ação".
Cada COE tem cinco informações que importam mais do que o nome bonito da operação: o ativo de referência, a regra de pagamento, o prazo, se o capital é protegido ou não, e quem é o emissor. Todas estão no DIE. Se alguém oferecer um COE sem mostrar esse documento, peça antes de qualquer decisão.
Capital protegido e capital em risco
Existem duas modalidades. No COE de valor nominal protegido, você recebe de volta pelo menos o valor aplicado, se levar até o vencimento. No COE de valor nominal em risco, você pode perder parte ou todo o valor aplicado, conforme o comportamento do ativo de referência.
Dois cuidados com a palavra "protegido". Primeiro, a proteção vale no vencimento, não antes. Segundo, ela é nominal: receber R$ 100 mil de volta depois de cinco anos, sem nenhum ganho, significa ter perdido para a inflação e para o CDI do período. Proteção de capital não é proteção de poder de compra.
E há o risco do emissor. O COE é uma dívida do banco que o emitiu e, ao contrário do CDB, não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Se o emissor quebrar, a proteção não vale.
Prazo e liquidez
COEs costumam ter prazos de um a cinco anos, e em geral não têm liquidez diária. O dinheiro foi desenhado para ficar até o vencimento. Quem aplica num COE dinheiro que pode precisar antes do prazo está comprando o produto errado para aquele dinheiro, por melhor que seja a regra de pagamento.
Antes de aplicar, a pergunta não é só "quanto pode render". É também "quando eu posso precisar desse dinheiro". Se a resposta for "talvez antes do vencimento", o COE não deveria estar nessa parte da carteira.
Os custos embutidos
O COE não cobra taxa de administração como um fundo. O custo está na montagem: a diferença entre o que a estrutura custa para o banco e o preço que chega até você. Essa diferença, o spread de estruturação, costuma ficar entre 3% e 5% do valor aplicado, cobrado de uma vez na entrada e invisível no extrato.
Como muitos COEs são renovados a cada 18 ou 24 meses, quem troca um por outro paga essa estruturação de novo a cada ciclo. Anualizado, o custo pode chegar perto de 2% ao ano. O simulador de custo da assessoria mostra quanto isso pesa no seu patrimônio ao longo do tempo.
O que acontece no resgate antes do vencimento
Quando existe a possibilidade de sair antes, ela costuma ser uma recompra pelo próprio emissor, a preço de mercado. Esse preço depende de juros, do ativo de referência e do tempo que falta, e quase sempre vem com desconto. Não é raro o valor de recompra ficar abaixo do que foi aplicado, mesmo num COE de capital protegido, porque a proteção só vale no vencimento.
Por isso, sair de um COE é uma decisão de conta, não de impulso. Às vezes vale esperar o vencimento. Às vezes o custo de esperar é maior do que o desconto da recompra. Não há resposta pronta.
Por que combinar COE com empréstimo aumenta o risco
Uma situação aparece com frequência: o investidor toma um empréstimo, às vezes com a própria carteira como garantia, para aplicar num COE. A conta parece fechar porque o COE promete pagar mais do que os juros do crédito. Mas o empréstimo cobra juros todo mês, com certeza. O COE paga só no vencimento, e só se o ativo de referência se comportar como esperado.
Se o COE terminar sem ganho, você recebe o capital de volta e ainda deve os juros acumulados. Se precisar de liquidez antes, vende o COE com desconto e continua com a dívida. É assim que alguém termina com uma dívida do tamanho do investimento. Veja como isso acontece em situações que a gente vê.
Tenho um COE e quero sair: o que avaliar
Antes de pedir a recompra, junte estas informações e faça a conta:
- A data de vencimento. Quanto tempo falta muda tudo. Faltando meses, esperar costuma custar pouco.
- O preço de recompra hoje. Peça o valor por escrito e compare com o que você aplicou e com o que receberia no vencimento.
- A modalidade. Se é capital protegido, você sabe o piso no vencimento. Se é capital em risco, o valor final pode ser menor que o de hoje.
- O que você faria com o dinheiro. Sair só faz sentido se o destino render mais, com o risco que você quer, ou se você precisa do dinheiro agora.
- Se há empréstimo atrelado. Juros correndo de um lado e COE parado do outro é a combinação que mais pesa. Quitar o crédito pode ser a prioridade.
- O imposto. O COE segue a tabela regressiva da renda fixa: quanto mais tempo aplicado, menor a alíquota sobre o ganho.
Antes de comprar o próximo
Três perguntas resolvem a maior parte dos problemas com COE: qual é o pior cenário, em reais; quanto custou a estruturação; e posso precisar desse dinheiro antes do vencimento? Se alguma resposta não veio clara, a decisão pode esperar. Para entender como a remuneração de quem oferece o produto funciona, leia como somos remunerados.
Perguntas frequentes
O que é COE?
COE é o Certificado de Operações Estruturadas: um título emitido por um banco que paga, no vencimento, um resultado ligado a outro ativo, como um índice, uma ação ou o dólar, segundo regras definidas antes da aplicação e descritas no Documento de Informações Essenciais.
COE tem garantia do FGC?
Não. O COE é uma dívida do banco emissor e não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Mesmo um COE de capital protegido depende da capacidade do emissor de pagar no vencimento.
Posso resgatar um COE antes do vencimento?
Em geral, o COE não tem liquidez diária. Quando há saída antecipada, ela costuma ser uma recompra pelo emissor a preço de mercado, frequentemente com desconto, inclusive abaixo do valor aplicado.
Quanto custa um COE?
O custo está embutido na estruturação, geralmente entre 3% e 5% do valor aplicado, cobrado na entrada e invisível no extrato. Quem renova COEs a cada 18 ou 24 meses paga essa estruturação a cada ciclo.
COE paga imposto de renda?
Sim. O ganho do COE segue a tabela regressiva da renda fixa, de 22,5% a 15%, conforme o tempo de aplicação, e o imposto é retido no vencimento ou no resgate.
Tem um COE na carteira e não sabe se vale sair?
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