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Carteira travada e sem liquidez: o que fazer quando você precisa do dinheiro

Você tem patrimônio, mas na hora em que precisou de dinheiro, ele não estava disponível. Uma parte está em produtos com prazo longo ou sem resgate antecipado, outra em imóveis, e o que sobra com liquidez não cobre a necessidade. É mais comum do que parece, e quase sempre tem saída sem perder muito, se a ordem das decisões for a certa.

Este guia explica o que trava uma carteira, o que fazer agora se você já está nessa situação e como organizar o patrimônio para não passar por isso de novo.

O que é uma carteira travada

É uma carteira em que a maior parte do dinheiro não pode ser resgatada rápido sem custo. Os produtos que mais aparecem:

  • COE e outros produtos estruturados, que em geral só pagam no vencimento e, quando permitem saída antes, recompram com desconto. Veja o que é COE.
  • CDB, LCI e LCA sem liquidez diária, que só devolvem o dinheiro no vencimento.
  • Títulos como debêntures, CRI e CRA, que podem ser vendidos antes, mas a preço de mercado, às vezes com perda.
  • Fundos com prazo de resgate longo, em que o dinheiro cai na conta semanas ou meses depois do pedido.
  • Imóveis, que podem valer muito e mesmo assim não pagar uma despesa urgente.

Por que isso acontece

Produtos com prazo maior costumam pagar mais justamente porque prendem o dinheiro. O problema começa quando eles ocupam uma parte da carteira que deveria estar disponível. Isso acontece quando ninguém perguntou para que serve cada parte do dinheiro e quando ele pode ser necessário, ou quando a recomendação seguiu o produto do momento, e não a sua vida.

Também acontece com quem construiu patrimônio em imóveis. A família é rica no papel e apertada no mês, porque quase nada do que tem vira dinheiro em poucos dias.

Precisei de dinheiro e está tudo travado: o que fazer agora

Siga esta ordem. Ela evita a decisão mais cara, que é vender o que não devia na pressa:

  • 1. Faça o mapa. Liste cada aplicação com três dados: quanto vale hoje, quando fica livre e quanto custa sair antes. Sem esse mapa, toda decisão é chute.
  • 2. Use primeiro o que tem liquidez. Reserva, fundos de resgate rápido, títulos de liquidez diária.
  • 3. Olhe os vencimentos próximos. Um título que vence em dois meses pode resolver o problema sem custo nenhum, se der para esperar.
  • 4. Compare as saídas antecipadas. Entre o que precisa ser vendido antes, venda primeiro o que tem o menor desconto e o menor imposto.
  • 5. Crédito só como ponte, e curto. Se for preciso tomar empréstimo, compare os juros do crédito com o que o dinheiro travado rende, e tenha uma data para quitar.
  • 6. Imóvel por último e sem pressa. Venda apressada de imóvel costuma sair muito abaixo do valor.

Cuidado com o crédito para cobrir falta de liquidez

O empréstimo com a carteira como garantia parece a saída mais fácil: o dinheiro sai rápido e você não vende nada. Mas os juros correm todo mês, e quase sempre são maiores do que o rendimento do investimento dado em garantia. Se o prazo se estende, a dívida cresce mais rápido do que o patrimônio.

Pior ainda é tomar crédito para aplicar num produto sem liquidez. Quando a necessidade aparece, você fica com o produto travado e a dívida correndo. Veja como isso acontece em quando a dívida fica maior que o investimento e em juros do crédito maiores que o rendimento da garantia.

Imóveis: patrimônio que não paga a conta do mês

Imóvel é patrimônio, mas não é reserva. Vender leva meses, tem custo de corretagem e pode gerar imposto sobre o ganho de capital. Um imóvel alugado gera renda, mas um imóvel vazio gera despesa: condomínio, IPTU e manutenção.

Para quem tem a maior parte do patrimônio em imóveis, o caminho costuma ser gradual: usar parte da renda de aluguel e de novas entradas para montar uma reserva financeira, e avaliar com calma se algum imóvel parado faz mais sentido vendido e aplicado. A calculadora de alugar ou comprar ajuda a ver o custo de manter um imóvel.

Como montar a reserva que evita o problema

A reserva é o dinheiro que fica disponível em um ou dois dias, em aplicação de baixo risco. É ela que impede você de vender algo na hora errada. Para quem tem renda estável, seis meses de despesas costumam ser o mínimo. Para empresários, autônomos e aposentados que dependem da carteira, faz sentido mais: de um a dois anos.

A calculadora de reserva de emergência mostra o valor para o seu caso. O que importa é que a reserva exista antes de qualquer produto com prazo longo.

Escada de vencimentos: liquidez sem abrir mão de rendimento

Depois da reserva, a parte com prazo pode ser organizada em degraus: aplicações que vencem em datas diferentes, a cada poucos meses. Assim sempre há dinheiro ficando livre, e você não precisa vender nada antes do vencimento para ter caixa. É a mesma lógica de quem vive de renda: renda previsível vem de vencimentos previsíveis.

A ordem de prioridade para destravar a carteira

Destravar uma carteira não é sair de tudo de uma vez. É seguir uma ordem: primeiro a reserva, depois os produtos mais caros que dá para sair sem perda relevante, depois os vencimentos naturais, reaplicando cada um no lugar certo. Em poucos meses, a carteira muda de forma sem que você pague desconto, imposto ou carência desnecessários.

Se você não sabe o que está travado na sua carteira, nem quando cada coisa fica livre, é por aí que o Raio-X começa.

Perguntas frequentes

O que fazer quando o dinheiro está travado em investimentos?

Faça o mapa de cada aplicação (valor hoje, data em que fica livre e custo de sair antes), use primeiro o que tem liquidez, espere os vencimentos próximos quando der e só então avalie vendas antecipadas, começando pelas de menor desconto.

Vale vender um título antes do vencimento?

Depende do preço de venda, do imposto e de quanto falta para vencer. A venda antecipada é a preço de mercado e pode ter perda. Compare com o custo de esperar ou de alternativas, como usar outro recurso com liquidez.

Empréstimo com a carteira como garantia é uma boa saída?

Pode servir como ponte curta, com data para quitar. Os juros do crédito costumam ser maiores do que o rendimento da garantia, e a dívida cresce rápido se o prazo se estende.

Quanto deixar com liquidez?

Uma reserva de pelo menos seis meses de despesas para quem tem renda estável, e de um a dois anos para empresários, autônomos e aposentados que dependem da carteira, em aplicações de baixo risco com resgate em um ou dois dias.

Imóvel conta como reserva de emergência?

Não. Imóvel é patrimônio, mas vender leva meses e tem custos. A reserva precisa estar em aplicações que viram dinheiro em poucos dias.

O que está travado na sua carteira, e quando fica livre?

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